Eu, cadeirante, em Orlando – Parte II

E a nosso convite, Juliana, descreve em detalhes como foi sua viagem a Orlando, tudo isso com a ótica de uma cadeirante!

Ela vai nos contar tudo sobre acessibilidade em Orlando em 4 partes.

Então, não percam as matérias! Confiram abaixo a parte II.

Eu, cadeirante, em Orlando – Parte II
Por Juliana de Castro

No segundo dia de parque, terceiro dia de viagem, fomos para o Magic Kingdom. Para mim, o melhor e mais lindo de todos! Além de encantador, acho que é o parque que possui maior número de atrações. Começamos nossa jornada pela incrível montanha russa “na escuridão do espaço sideral”: Space Mountain. Eu já conhecia e, confesso, quis desistir! Nesta atração, é preciso passar para uma cadeira de rodas padrão e, em seguida, para o veículo de passeio, que simula um foguete.


Seria mais fácil sentar na primeira cadeira, mas, por experiência, preferi ficar no meio! Foi até fácil para entrar, difícil foi sair, pois o espaço é bem apertado e o assento muito baixinho.

De lá, seguimos para outra montanha-russa: Big Thunder. A atração simula um trem desgovernado numa mina mal-assombrada. Não é muito grande, mas dá pra sentir um medinho!!! É necessário sair da cadeira/ECV para o veículo.
Bem menos emocionante, mas muito bem feito, é a Haunted Mansion. Desde a fila podemos perceber os fantasmas querendo nos assustar: uma catacumba musical, um túmulo avariado e um escritor-fantasma, entre outras. Também é necessário transferir da cadeira/ECV para o assento do brinquedo.

Outra atração tranquila e muito real é a Pirates of the Caribbean, considerada uma das mais espetaculares já criadas. A atração é repleta de bonecos de cera em movimento. O passeio é a bordo de um barco onde nos aventuramos navegando para um tempo e lugar cheio de piratas que dominavam os mares. Como a maioria dos brinquedos, é preciso fazer a transferência da cadeira/ECV para o barquinho.

Neste dia, assistimos ao Desfile Disney Festival of Fantasy que acontece sempre às 15 h. Há uma área especial, quase em frente ao castelo, onde as pessoas que estão em cadeiras de rodas ou scooters podem assistir à parada.
De acordo com o roteiro que fiz, no quarto dia fomos para o Universal Studios. Estava lotado, pois havia um festival em comemoração aos 20 anos do filme Harry Potter. Tinha muita gente fantasiada e pareciam ter saído da TV!!!
Li em algum lugar que não deveria ir de scooter porque a maioria das atrações não permitia, então, nesse parque, fui com a cadeira de rodas… Mas não tinha nada disso! Tudo funciona como nos outros. Por sorte, a área do Universal não é tão grande quanto às da Disney. Valeu pela experiência!

Como estava acontecendo a celebração do Harry Potter, foi o primeiro brinquedo que resolvemos encarar a fila, antes que lotasse mais. No Universal também existe um tipo de “Fast Pass”, mas é pago, e achei bem carinho. O que são alguns minutos de fila pra quem é jovem, não é verdade?! Rsrs. Particularmente, adorei a atração! Harry Potter and the Escape from Gringotts: Entramos no lobby do banco, tiramos uma foto de segurança e entramos no escritório de Bill Weasley. De lá, fomos para o elevador que nos leva ao fundo do cofre. Sentamos numa espécie de trem que nos leva ao mundo subterrâneo de Gringotts.

Deixamos para ir ao Hogwarts Express quando fossemos visitar a Island Of Adventures. Saímos do Beco Diagonal e seguimos para a Krustyland, onde fica a atração The Simpsons Ride. Embora fosse bem parecida com as outras, simuladores em 3D, precisei ficar de olhos fechados, pois me deu muito enjoo.

Em compensação, Despicable Me Minion Mayhem foi uma delícia! Diferentemente de quase todos os simuladores, esse brinquedo não possui carrinho/barquinho etc. É como uma sala de cinema. Foi também, a única atração que me perguntaram se eu precisava de ajuda para sair da cadeira e ir para o assento do brinquedo. Fui com a cadeira até bem próximo do lugar que iria ficar. A cadeira ficou estacionada ao meu lado.

O parque estava bem cheio, as filas demorando muito e não tinha muitas outras atrações que eu quisesse ir, acabei esperando meus sobrinhos irem à Hollywood Rip Ride Rockit, Revende of the Mummy, TRANSFORMERS e Race Through New York Starring Jimmy Fallon. Todos acessíveis, segundo eles me informaram. Neste dia conheci a Lu e o Rodrigo, da Orlando em Revista, casal simpatia, que, assim como o Erick, se interessou pela ideia de relatar a experiência da viagem, como cadeirante, em Orlando.


No quinto em Orlando, fomos ao Hollywood Studios. Havia muitas atrações que gostaríamos de ir, tentamos seguir o roteiro, mas devido às filas, mudamos um pouco a programação. Neste dia fez bastante calor e o sol estava bem forte. Começamos pela Rock ‘n’ Roller Coaster Starring Aerosmith… claaaro que eu e Letícia não fomos. Como Henrique se aventurava sozinho nessas atrações, ele pegava a fila de “single rider” e era super rápido! Enquanto ele ia à montanha-russa, fomos no Voyage of The Little Mermaid, o show da Ariel. Não precisei sair da scooter, mas ficamos no fundo do teatro. Seria ideal sentar mais ao meio, caso fosse possível.

Como havíamos conseguido agendar alguns Fast Pass, fomos direto para Star Tours – The Adventures Continue. Precisei deixar o scooter estacionado do lado de fora e ir na cadeira de rodas da atração. Em uma “nave espacial”, adentramos no hiperespaço em um voo com simulação de movimento em 3D. Era exatamente como eu lembrava!
Outra atração que também não mudou nada desde 1996 foi o show Indiana Jones Epic Stunt Spectacular! Nesse espaço enorme onde acontece o espetáculo, as pessoas com scooter e/ou cadeira de rodas, tem espaço reservado na última fileira… bem longe do palco. Eu ainda dei azar e fiquei quase atrás de uma pilastra. Não foi preciso sair do EVC, pois existem “vagas para estacionar” e assistir dali mesmo.

Quando saímos já estava na hora de irmos para o show For the First Time in Forever: A Frozen Sing-Along Celebration. Lá já foi o contrário dos shows da Ariel e do Indiana Jones, nos colocaram na primeira fila. Achei que seria melhor ficar ali, mas acabei ficando com o pescoço cansado, de tanto olhar prá cima. Como não estava lotado, pude sentar na cadeira ao invés de ficar sentada no ECV.

Uma coisa que reparei durante o show e achei fantástico, foi o fato de terem dois funcionários traduzindo tudo que era falado e cantado, em linguagem de sinais, para um deficiente auditivo. Nesse parque também vi alguns cães-guia acompanhando pessoas em diversas atrações. Todos identificados e com um aviso: “Não me distraia, estou trabalhando”.


Ainda sobre o show da Frozen, esperava mais! São, basicamente, partes do filme, com uma apresentação dos personagens antes dos trailers com as músicas tema de cada um. Enquanto estávamos na fila para assistir Beauty and the Beast – Live on Stage começou a chover. Esquecemos completamente de comprar capas de chuva. Ainda bem que durou pouco! Nesse espetáculo tudo foi perfeito: o lugar onde nos posicionaram e todo o musical. Valeu enfrentar a chuva e o tempo de espera.

Por fim, a melhor de todas as atrações da Disney, para mim: The Twilight Zone Tower of Terror, o famoso elevador que despenca 13 andares! Nele a gente despenca e sobe rápido novamente várias vezes, ao som de cabos se rompendo e metais colidindo. Apesar de ter medo de altura, adoro esse brinquedo e recomendo pra todo mundo. Deixei o scooter estacionado e fui até a porta do elevador com a cadeira de rodas da atração. Apesar de, normalmente, irmos em pé em todo elevador, esse é diferente, né?! A gente precisa sentar e “apertar os cintos”.

E a saga da Juliana não para aqui! Acompanhe aqui no nosso site o restante da experiência! Os posts são semanais.

Leia a parte I: http://www.euemorlando.com.br/eu-cadeirante-em-orlando-parte-i/

Leia a parte III: http://www.euemorlando.com.br/eu-cadeirante-em-orlando-parte-iii/

Leia a parte IV: Em breve

Texto e imagens de Juliana de Castro – Direitos reservados.

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